terça-feira, 27 de agosto de 2013

Quem é a culpada? A PM é claro! Tudo é a PM, quando você fizer alguma coisa que não tiver a quem culpar culpe a PM o "saco de pancada" ou seja" o pau pra toda obra.




Especialistas apontam erros da polícia na briga do Mané e sugerem medidas



Thaís Cunha - Especial para o Correio

Na avaliação de especialistas ouvidos pelo Correio, a ocorrência da segunda briga envolvendo torcidas organizadas no Mané Garrincha em um período de sete dias indica falhas na segurança. Para o sociólogo Maurício Murad, coordenador do Núcleo de Sociologia do Futebol da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), as imagens registradas no último domingo em Brasília revelam despreparo da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). “Os torcedores se deslocaram de um extremo do anel para o outro. Como ninguém viu, ninguém acompanhou? Falta preparo, ação preventiva e punição verdadeira”, argumentou o pesquisador.

Na opinião do sociólogo, houve atraso na ação da polícia tanto em Flamengo x São Paulo quanto em Vasco x Corinthians, quando a PMDF reconheceu “retardo” na ação dos agentes. “As imagens mostram, de forma muito nítida, que a polícia chegou muito atrasada e agindo indiscriminadamente.” Na visão de Murad, o spray de pimenta, por exemplo, foi usado de maneira equivocada, em local muito próximo a pessoas que não estavam envolvidas na briga — incluindo famílias com crianças.

Em resposta, o comandante-geral da PMDF, Jooziel de Melo Freire, rebateu as críticas. De acordo com o oficial, “a polícia agiu com eficiência, usando a força necessária para conter a ação de vândalos disfarçados de torcedores”. Sobre uma imagem registrada pelo Correio, mostrando um torcedor com um cassetete na mão, a PMDF informou que o equipamento foi recuperado logo após a confusão. Para os próximos jogos, estuda-se a possibilidade de voltar a se reservar os locais das organizadas.

“As torcidas de outros estados e com fama de violentas terão os espaços delas e vão assistir aos jogos confinadas. Assim, a gente traz a segurança necessária à população de Brasília que quer ir ao estádio”, disse o comandante. Freire classificou como “grotescas” as cenas em que integrantes da Gaviões da Fiel, torcida organizada do Corinthians, invadem a área reservada ao Vasco para agredir os fãs do adversário. Na ocasião, não havia cordão de isolamento da Polícia Militar.

Para o presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Paulista de Futebol, coronel Marcos Marinho, faltam planejamento adequado e experiência ao Distrito Federal. “Receber jogos assim é uma coisa muito nova para Brasília”, destacou ele, que trabalhou por 17 anos no Batalhão de Choque de São Paulo, responsável pelo policiamento de eventos esportivos. Na opinião do militar, a melhor forma de coibir a violência entre as torcidas é investir em capacitação. “Às vezes, a polícia tem a máquina, mas não sabe como usar. Eles têm de se preparar para isso, saber atuar e produzir provas na hora certa.”

Para Marcos Marinho, a estrutura das novas arenas pode contribuir para esse tipo de confronto por não haver separação física entre as torcidas. “Uma grade provisória no anel superior poderia ajudar”, sugere. No Rio de Janeiro, o comandante do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (GEPE), João Fiorentini, contou que já consegue driblar a falta de grade com uma lona para delimitar o espaço da torcida organizada. “Há a exigência da Fifa para que no Maracanã não haja nenhuma estrutura fixa que possa atrapalhar a evacuação do espaço. Então, colocamos tecido removível.”


Preparação

Fiorentini sugere, ainda, que o segredo para evitar confrontos de torcidas organizadas está na preparação do local. “A torcida visitante fica atrás do gol e não pode ter contato com a organizada do outro time. Costumo separar, não deixo chegarem ao estádio ao mesmo tempo e coordeno a entrada e a saída, para que nunca façam o mesmo caminho na parte externa do Maracanã”, detalhou. O planejamento, de acordo com ele, deve ocorrer a cada jogo. “Não dá para trabalhar com fórmula pronta no futebol. O esquema de segurança depende do nível de rivalidade entre as torcidas, se o time acaba de ganhar um título, se vem de uma sequência de derrotas, enfim, de vários fatores.”

Outro problema apontado pelo sociólogo Maurício Murad é a impunidade. “Se há 400 câmeras de segurança no Mané Garrincha, por que não identificaram as pessoas?”, questionou. O maior erro, defendeu Murad, é a falta de um planejamento de segurança: “A questão central é existir um plano efetivo, o que a PM mostrou não ter”. Segundo a PMDF, policiais militares acompanham os jogos da sala de monitoramento das câmeras no estádio. A investigação do caso e a análise das imagens estão sendo feitas pela Polícia Civil.

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