sexta-feira, 23 de março de 2012

A família nao sabia do direito e "eles" avisam!

Amigos ajudam no tratamento de soldado da PM
Ana Carolina Bendlin
Anderson Tozato/Reprodução

Paraná

Sandra: "quando ele sofreu o acidente, não sabia da gravidade dos ferimentos"
Há seis meses, a família do soldado Roger Maycon Pereira de Souza depende da solidariedade alheia para que ele tenha a oportunidade de se recuperar adequadamente. No dia 18 de agosto do ano passado, o jovem, de 23 anos, estava a caminho do trabalho quando sofreu um grave acidente de trânsito com sua motocicleta. O capacete não foi suficiente para evitar que ele fosse levado em estado preocupante para o Hospital do Trabalhador. Foram dois meses em coma e mais três de internação, mas mesmo agora, já estando em casa, o soldado precisa de cuidados constantes, pois a recuperação completa ainda deve demorar.

A recuperação tem acontecido aos poucos. Primeiro, Roger só abria um olho, agora já realiza pequenos e lentos movimentos no lado direito do corpo e começa a retomar a fala. Apesar de estar melhorando a cada dia, toda a casa da família teve que ser adaptada para recebê-lo novamente. "Tivemos que comprar vários aparelhos, reorganizar todo o quarto dele, que era de um jovem solteiro normal, construir um novo banheiro e adaptar todas as portas", explica a mãe, Sandra Pereira de Souza. Tudo isso só foi possível com a ajuda de amigos e familiares, que arrecadaram dinheiro e ofereceram seu próprio trabalho para ajudar a reformar a casa para que ele tivesse as acomodações adequadas.

Sandra conta que a família não imaginava que todas essas intervenções seriam necessárias. "Quando meu filho sofreu o acidente, eu não sabia o tamanho da gravidade dos ferimentos. Só tive consciência quando ele voltou para casa porque durante todo o tempo em que ele ficou no hospital, eu o imaginava andando para retornar para cá", conta. Além dos gastos com cirurgia, internamento, fisioterapia, a família tem dificuldades para pagar até mesmo as despesas mais triviais, como alimentação especial e remédios. Este foi o motivo de um grupo de colegas do 20º Batalhão de Polícia Militar realizar uma campanha para arrecadar recursos para, mais uma vez, ajudar a família.

Tratamento

A mobilização dos demais policiais do batalhão chamou a atenção da Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares Ativos, Inativos e Pensionistas (Amai). Esta semana, uma comissão esteve na casa de Roger para orientar a família acerca dos direitos dele. "Como ele estava indo para o serviço, é como se estivesse trabalhando e, por isso, seu tratamento deve ser custeado com recursos públicos. A Polícia Militar do Paraná (PM-PR) tem um orçamento específico para esses casos, referente à Diretoria de Apoio Logístico (DAL)", afirma o presidente da entidade, coronel Elizeu Furquim. De acordo com ele, até mesmo as despesas do início do tratamento podem ser reembolsadas. "Eles foram abandonados em um primeiro momento, pois isso já devia ter sido feito, mas ainda têm direito a ter cobertura", completa.

A Amai estima que o custeio das despesas deve ser iniciado em, no máximo, 30 dias. "A burocracia pode atrapalhar um pouco, mas a máquina tem que funcionar a favor dele, não contra", avalia Furquim. Segundo a mãe do soldado, o pedido não foi feito anteriormente porque a família estava preocupada em salvar a vida do jovem primeiro. "Várias vezes ligaram do quartel, mas como não sabíamos o assunto, achávamos que não havia necessidade de ir lá, ainda mais porque não tínhamos tempo por termos que cuidar dele", conta. Caso a recuperação ainda demore mais do que dois anos, ele pode ser aposentado por invalidez. A PM-PR, informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que está fazendo tudo o que for legal e possível. Também garantiu que tem acompanhado o caso desde o início e que outras questões estão sendo estudadas para melhor atender o soldado.

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