segunda-feira, 19 de março de 2012

Veja a entrevista do ex - Comandante da ROTA.

Polícia Militar de SP deixa de combater crime
para fazer atendimento social, diz ex-chefe da Rota


Para Paulo Telhada, baixo piso salarial prejudica desempenho da PM no Estado
Vanessa Sulina, do R7
Há 20 anos, na época ainda tenente, o ex-comandante da Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar), Paulo Telhada teve a ideia de escrever um livro para contar um pouco da história do batalhão que há 120 anos faz parte da vida da cidade de São Paulo. Pouco tempo depois de ter se aposentado - o que ocorreu em dezembro de 2011 -, o tenente-coronel reformado transcreveu sua ideia nas mais de 500 páginas do livro Quartel da Luz, Mansão da Rota, que revela detalhes da corporação desconhecidos da maioria dos paulistanos.

O R7 conversou com o polêmico ex-chefe da Rota, que foi vítima de um atentado pouco menos de um ano antes de se aposentar. Na entrevista, Telhada fala sobre sua publicação e a atuação da Polícia Militar, hoje, em São Paulo e no Brasil.
coronel-telhada-HG

Tenente-coronel Paulo Telhada lança livro sobre história da Rota, em SP


Na sua opinião, qual a situação da Polícia Militar de São Paulo hoje?

Roubos seguidos de morte dobram na capital

R7- O que você conta no livro? Existem muitas histórias que nunca foram divulgadas?

Telhada – A ideia de escrever o livro surgiu há 20 anos quando eu era tenente. O tempo passou, voltei para a Rota como tenente-coronel e acabei assumindo esta missão. Em 1 de dezembro do ano passado [data de lançamento do livro], o batalhão cuja história se confunde com a da cidade e do Brasil completou 120 anos. Estudei e levantei histórias desconhecidas. O batalhão, por exemplo, participou da batalha de Canudos, na Bahia. Na Revolução de 1924, o grupo também ajudou. Essa foi a primeira vez que a cidade foi bombardeada por artilharia, 2.000 pessoas morreram. Andamos até 1970, quando a Rota foi criada para combater o crime organizado.

R7- Quais as mudanças no papel da Rota nesse mais de 40 anos?
Telhada
O que não mudou é a vontade de trabalhar pela população, a vibração profissional. Mas mudou muita coisa, principalmente, a tecnologia. Fomos apanhando e aprendendo. Comecei na Rota 1986, [hoje] não se compara com a história de antes. Aqui, em São Paulo, era tudo mato. Agora a cidade cresceu muito e com isso, a criminalidade aumenta.


R7 - Qual a maior dificuldade da Polícia Militar hoje?


Telhada
- Temos o hábito de mostrar as coisas erradas como não tão importantes. Pessoas que comentem crimes são mostradas como inocentes, que não merecem o peso da lei. Brasileiro tem cultura de não levar as coisas a sério, que, por exemplo, passar no semáforo vermelho é normal, falar no celular enquanto dirigi é normal. Isso atrapalha o trabalho da polícia. O crime organizado cresceu porque valorizaram o lado errado.

R7 - A polícia tem uma boa estrutura de trabalho? Quais são as principais deficiências da PM de São Paulo? Quais as principais qualidades?


Telhada
- Hoje, a maior deficiência na polícia é o piso salarial. O governo tem que melhorar. Não podemos reclamar dos equipamentos, da técnica. Se a valorização do policial melhora, o resultado para a população também.

R7 - No início desta ano, policiais militares em vários Estados entraram em greve por causa dos baixos salários e da pouca infraestrutura para trabalhar. Como o senhor avalia as condições aqui em São Paulo?


Telhada
- Para um policial recorrer à greve, as condições de trabalho estavam péssimas, havia sucateamento de frota. No Rio de Janeiro, um soldado - até pouco tempo atrás - ganhava R$ 900 trocando tiro com vagabundo. É inadmissível. O homem convive todo dia com o crime, ele é tentado todo dia, se ele não tiver postura moral, ele vai para o outro lado. Estive na Bahia há pouco tempo, motos novas, caminhonetes, não adianta você ter um carro 0 km e ganhar R$ 900 com uma família para sustentar. Em São Paulo, o governador nos deu aumento, ainda não adequado, mas não tivemos greve por aqui.

R7 - O que é preciso ser feito para diminuir a criminalidade em SP? Telhada
 - Crimes sempre inventam novas técnicas. Aqui em São Paulo, como em todos os Estados, a Polícia Militar infelizmente acaba sendo desviadas de muitas de suas funções e passa a fazer um papel que não pertence à PM. Se você for no Copom hoje, 40% das ocorrências em atendimento é de cunho social, ou seja, estão socorrendo alguém, separando briga de marido com mulher, estão no acidente de trânsito. A PM perde sua finalidade principal que é combate ao crime. Se a polícia não estiver presente, o crime se faz presente. R7- Em 2010, ano em que o sr. estava no comando da Rota, os dados da própria SSP mostraram que 35 civis foram assassinados para cada PM morto em confronto. Na época, o índice foi o maior dos últimos sete anos. A que o senhor atribui tantas mortes?


Telhada -  
O policial é treinado para defender a sociedade. Ele é treinado para evitar o disparo. Se o individuo atira, nós temos que revidar o disparo para que cesse aquela ação. Se ele se entregar, ele vai preso. Se ele atirar, o policial vai revidar. Quando um PM morre quem perde é a população porque foi gasto um dinheiro violento em seu treinamento.

R7 - Em julho de 2010, o senhor sofreu um atentado na porta de casa, na zona norte da cidade. O ataque ocorreu simultaneamente com outro ao quartel da Rota. Pouco tempo depois, surgiram notícias de que o ataque ao quartel teria sido uma farsa. Quem pode ter atacado ao senhor?


Telhada -
Esta informação é mentirosa e tendenciosa. Esse cidadão que espalhou isso é criminoso, inclusive tem várias passagens pela polícia. Se houvesse qualquer farsa, tenho certeza que o delegado de polícia já teria tomado providência. Pessoas falam coisas da gente para causar um barulho e trazem problemas para a gente.



acidente
(Telhada diz que acidentes consomem tempo em que Polícia Militar poderia estar nas ruas em combate ao crime - Foto: Agência Estado)

Fonte: r7

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