terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Promotoria Militar Denuncia Alto Comando da Polícia Militar.

Denúncias de promotora da Justiça
Militar incriminam alto comando da PM


José Rabelo



As declarações que a promotora de Justiça Militar, Karla Sandoval, deu ao programa Bom Dia Espírito Santo, da TV Gazeta, nesta segunda-feira (20), deve abrir uma nova crise na Polícia Militar capixaba. A promotora, que apurava o caso do vazamento de conversas telefônicas entre o coronel Júlio Cezar Costa e o Ciodes, acabou tomando conhecimento de denúncias que envolvem o alto comando da PM em diversos crimes.

As informações apuradas pela promotora referem-se a indícios de superfaturamento, desvio de recursos públicos, falsidade documental e ideológica, além de uso de “caixa 2” para pagamento de despesas extra-oficiais.

Os documentos entregues à  promotora revelam que havia um esquema de superfaturamento de preços e serviços de consertos de viaturas. Para desviar dinheiro dos cofres públicos, os envolvidos utilizavam nos consertos peças usadas como novas. Apresentavam notas fiscais que se referiam a modelos de veículos que não fazem parte da frota da PM. Os indícios apontam que as peças eram desviadas para a manutenção de veículos particulares dos oficiais e de seus familiares.

Segundo a promotora, alguns oficiais da PM a procuraram na última sexta-feira (17) para denunciar que o comandante geral da PM, coronel Oberacy Emmerich Júnior, estaria indicando ao governador Paulo Hartung a promoção do tenente-coronel Valdir Leopoldino ao posto de coronel. A indicação contrariou os oficiais que integram a Comissão de Promoção da PM, uma vez que Leopoldino foi denunciado pelo Ministério Público como sendo o chefe da chamada “Máfia dos Guinchos”.

Outra denúncia acusa um outro coronel de favorecer detentos da Penitenciária de Cachoeiro de Itapemirim condenados por envolvimento com o tráfico de drogas e outros crimes. O coronel envolvido, na época em que comandava o Batalhão da PM de Cachoeiro, concedia regalias “inacreditáveis” aos detentos.
A promotora promete investigar todas as denúncias contra os oficiais do alto comando PM. Karla Sandoval afirma que manterá o teor da denúncia em sigilo para não prejudicar as apurações.

Karla Sandoval afirmou que tem recebido solidariedade dos colegas promotores de Justiça por ter “atacado as ações de frente e sem qualquer receio". Ela admite, porém, que a partir de agora teme por sua vida.

Caso Júlio Cezar

O coronel Júlio Cesar Costa, então diretor do Departamento de Logística da Polícia Militar, foi afastado das atividades no final de setembro deste ano. A decisão do comando da PM foi tomada após uma conversa gravada entre o coronel e um capitão do Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes) ir parar na mídia.

Na conversa, o coronel exige que um advogado que foi abordado em uma blitz seja imediatamente liberado. Júlio Cezar exige rapidez na liberação do advogado. Irritado, ele começa a dizer palavras de baixo calão contra a corporação. A conduta do coronel teria justificado o seu afastamento da PM pelo período de um mês, enquanto as apurações eram feitas.

A promotora Karla Sandoval, responsável pelo caso, fez um relatório que pede o arquivamento do Procedimento de Investigação Criminal (PIC) contra o coronel Costa, pois considerou que não houve crime nos diálogos “grampeados”.

Karla Sandoval esclarece também que não houve dois posicionamentos do MP sobre o caso. Ela explica que o promotor Sócrates de Souza, que acompanhava o caso, mas que não tinha a incumbência de fazer o relatório, acabou, por conta própria, elaborando um relatório paralelo. Segundo a promotora, Sócrates enviou o relatório para a promotora assiná-lo. No entanto, o relatório omitia informações dos graves indícios de crimes no alto comendo da PM. Ela discordou do teor do relatório do promotor e decidiu usá-lo, parcialmente, como sugestão em seu relatório.

A promotora alega que chegou a considerar partes do relatório do colega, que também pedia o arquivamento do caso. Entretanto, Karla Sandoval ponderou que não poderia deixar de agir com o mesmo rigor e isenção que sempre adotou, “deixando de registrar todas as supostas violações à lei”.
Ela ainda esclarece que não poderia “fazer a vontade” do colega. “Não era o que eu pensava em termos de aprofundar e descortinar toda a problemática vivida no alto comando da PM”, avisa a promotora.

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